Histórico

O Taquaryense nasceu em 31 de julho de 1887, do sonho de Albertino Saraiva. A primeira edição foi entregue na residência dos taquarienses pelo próprio fundador. Junto com a esposa, Joanna Gomes Saraiva, ele confeccionava o jornal – escrevia, fazia a composição das páginas com o uso dos tipos móveis e colocava-as na prensa. Joanna era responsável por cortá-las e dobrá-las.

Nos dois primeiros anos d’O Taquaryense, a impressão era feita num prelo manual, na oficina gráfica de Tristão de Azevedo Vianna. Por isso, o nome de Tristão consta no cabeçalho das primeiras edições como proprietário do jornal. Após esse período, a família Saraiva adquiriu o prelo de Tristão. Em 1910, este foi substituído pela rotativa Marinoni. Fabricada em Paris, a impressora foi comprada do Correio do Povo e é usada, até hoje, para imprimir o semanário.

Prelo

Antigo prelo imprimiu as edições dos primeiros 23 anos do jornal

Falecido em 1928, o fundador d’O Taquaryense não pôde ver a rotativa Marinoni deixar de funcionar com o motor a querosene. Anos antes de a energia elétrica chegar a Taquari – o que ocorreu na década de 1930 –, Albertino Saraiva sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), enquanto redigia uma notícia.

motor a querosene

Motor a querosene está exposto no museu da Casa Costa e Silva

Os filhos assumem

Com a morte de Albertino, o jornal passou a ser administrado pelos filhos que, desde criança, auxiliavam o pai na confecção do periódico. Em 1928, Mário Saraiva assumiu como tipógrafo do semanário e Leonel Theodorico Alvim, amigo de Albertino, passou a ser o redator. Irmão de Mário, Plínio Saraiva assumiu como gerente de 1947 a 1990. Também em 1947, Nardy de Farias Alvim (1947-1966), João Carlos Teixeira (1947-1985) e Pery Saraiva (1947-1990) passaram a ser diretores do jornal.

O Taquaryense foi impresso, sem interrupções, desde sua fundação até 1956, quando, devido a uma deficiência visual, Mário ficou impossibilitado de confeccioná-lo. A publicação deixou de ser produzida entre 8 de setembro de 1956 e 13 de janeiro de 1962. Filha de Plínio, Flávia Saraiva Dias conta que outro fator também contribuiu para a interrupção: as máquinas utilizadas para confeccionar o periódico estavam na casa de Mário e sua esposa não as queria mais lá.

O prédio no qual O Taquaryense funciona até hoje foi construído enquanto o jornal deixou de circular. A construção foi finalizada em 1961 e saiu do papel com o auxílio de amigos da família Saraiva e do então prefeito de Taquari, João Eduardo Bizarro. O semanário voltou à ativa devido aos esforços de João Carlos Bizarro Teixeira, Pery Saraiva, Nardy de Farias Alvim (filho de Leonel Theodorico Alvim) e Plínio Saraiva (tio de Pery e da esposa de João Teixeira).

plinio

Plínio Saraiva assumiu a direção do jornal em 1990

Depois de atuar como gerente por 43 anos, Plínio assumiu como diretor e editor do jornal em 1990 e permaneceu no posto até 9 de agosto de 2004, quando faleceu, aos 101 anos. No mesmo ano, foi firmada uma parceria entre O Taquaryense e o Centro Universitário Univates, de Lajeado. Intitulada Projeto Cultural O Taquaryense, a iniciativa propunha resgatar e preservar o periódico a partir da recuperação do acervo e das instalações físicas. Além disso, visava garantir que o veículo preservasse e desse continuidade às formas originais de produção, edição, impressão e circulação. A instituição de ensino assumiu financeiramente o semanário entre janeiro de 2005 e dezembro de 2006. Nesse período, Flávia Saraiva Dias continuou as atividades antes desenvolvidas pelo pai. Em 16 de abril de 2005, por meio do projeto, O Taquaryense foi inaugurado como Museu-Vivo de Comunicação.

Com a rescisão do contrato com a Univates, o jornal não circulou no primeiro semestre de 2007. Nesse período, um comitê com representantes da família Saraiva, da indústria e do comércio local articulou a revitalização d’O Taquaryense. Em 28 de julho de 2007, ele voltou a ser entregue aos assinantes.

Comitê

Convite para a reunião do Comitê, publicado n’O Taquaryense

Perspectivas

Em 2010, o Ministério Público e a administração municipal de Taquari assinaram um Termo de Ajuste de Conduta no qual o prefeito à época, Ivo Lautert, se comprometeu a fazer o encaminhamento necessário para que O Taquaryense fosse tombado como patrimônio histórico e cultural do município. A autoria do inquérito foi da então promotora pública da Comarca de Taquari, Andrea Almeida Barros.

Em 2013, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) tombou bens móveis e integrados do jornal O Taquaryense. O tombamento incluiu o acervo de edições e os bens relacionados ao processo de produção do semanário.

Acesse a linha do tempo com os principais fatos da história d’O Taquaryense

Leia também: Edições históricas

Leave a Reply

Your email address will not be published.